(via bussolas)


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O que foi. O que era. O que pode ser.

É menina a vida tomou rumos totalmente contrários as nossas vontades, foi como deus no caminho, ou alguma força maior. Não sei talvez isso tenha sido melhor pra nós dois, preservou a gente de futuras mágoas (mesmo eu passando longos 60 dias de ressaca moral por você). Agora somos pessoas diferentes, aquela magia inicial não existe mais. Não somos mais inocentes um com outro, não te vejo mais como um vício. Às vezes pensando assim me assusta um pouco, como posso ter desistido de você tão fácil assim? Mas na verdade eu não desisti, apenas deixei guardado o que era bom. Você ainda está na minha lista das melhores coisas e paradoxalmente está na lista das decepções. Como falei a culpa não é nossa, é da vida. Quem sabe se a gente tivesse se encontrado numa esquina dessas da vida uns três anos depois talvez fosse tudo diferente. Teríamos dividido mais a cama, mostraria pra você meus outros filmes favoritos, ouviríamos mais vezes deitados na cama “No Surprises” do Radiohead e “Tonight, Tonight” do Smashing Pumpkins, e meus gostos inusitados te fariam feliz. E você me ensinaria arte contemporânea e barroca, mostraria todos os seus livros e filmes cults, falaria das suas experiências anteriores e de como eles não se comparam a mim, mas todos eles mesmo idiotas têm os seus pontos positivos. Mas tudo bem. Não precisei de duas horas de conversa com você para reviver tudo aquilo num sonho. Sonhei que dividíamos um frappuccino e você me falava das suas viagens, das suas amigas e da sua vida.  Precisei nem tocar os seus lábios e acariciar seus cabelos. A sua presença mesmo que em sonhos já me fez bem. Aqueles dias nunca vão se apagar e outros caras não vão ocupar o meu lugar. 


Você vive fugindo de tudo, da intimidade, do carinho, dos domingos, de você e de mim. O que eu quero saber é: por que você ainda não saiu atrás do seu amor de plástico? Eu mesmo te respondo: por que sou o seu Saara… Deserto. Você está bem no meio, perdida, em alguma parte central do meu território. E quanto mais você corre, mais interminável ele parece. Você pisa em mim, minha ardência queima seus pés, por isso você corre. Sabe, eu acho um sarro te assistir tonta e desesperada indo para todo lado, sem alcançar lugar algum. Ainda assim, mesmo dentro de mim, você se sente sozinha. Fica procurando mudas de Amor-Perfeito e não lembra que no deserto as flores não germinam. Só os cactos.
Nunes, GABITO

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Algo mais II.

Não tem muito o que explicar. Eu posso dar voltas e mais voltas sem sair do lugar que você me colocou projetado para durar. Sei lá. A gente precisa é entender que as pessoas por quem nos apaixonamos não existem mais. Notícia velha, cara: as pessoas mudam: de opinião, corte de cabelo, endereço, telefone e sentimentos. E nem sempre escolhem isso ou sabem identificar o ponto final. Afinal, todos os romances são repletos deles espalhados em pontos de vistas diferentes. Talvez seja loucura tentar entender como as suas chaves não servem mais para abrir a porta de uma casa que era sua. Mas é assim que as coisas são, não é? Na prática, seus pés vão continuar sentido frio à noite, meu telefone vai continuar caindo na secretária eletrônica, nossas línguas vão continuar com vontade uma da outra sem falar o mesmo idioma. Até um dia desses.


(via leoniacm)


Algo Mais.

Nem sempre fui alheio a sofrer. Eu tive medo da primeira vez. Da segunda também. Chorei ouvindo “Baby I Love Your Way” sábado à noite, vi aquela Fulana que eu chamava de amor usar as minhas palavras mágicas com outro cara um mês depois daquela conversa de “é, não deu, chegamos ao fim da linha, eu acho”, fui pego no contrapé, eu diria. Enfim, também cheguei àquela porra de fundo de poço por alguém. Depois, acho que me acostumei ao fato de que as pessoas não dão conta de todas as promessas que te fazem. Principalmente quando falam em pra sempre e nunca mais – duas expressões facilmente solúveis como guaraná em pó.

Simões.